O mundo neon de Fuyu Kukan
Fuyu Kukan não é só um álbum, é, na verdade, um portal preparado para te levar para uma distante realidade cyberpunk.
Não importa onde você estava. No momento em que apertar play, você vai estar sozinho nessa cidade, perdido pela madrugada e embalado pelas luzes de neon. Mas não se preocupe que você não está triste por estar só. Estar sozinho aqui não é sinônimo de solidão, mas de liberdade. A noite é sua, a cidade é o seu cenário, e cada esquina escura esconde uma nova batida esperando para ser descoberta.
Esse é um álbum de 1983, mas que carrega um nível de produção difícil de replicar até hoje. O baixo é como o coração mecânico dessa cidade. Os sintetizadores são estranhos e atraentes, puxando você para explorar mais e mais. O vocal da Tomoko é o rádio embalando sua aventura.
Não é um álbum coeso em relação ao estilo das músicas. Aqui temos uma mistura proposital de gêneros e referências, tanto da música japonesa quanto da ocidental. Como se fosse de um bairro a outro da cidade, navegamos entre baladas românticas mais tradicionais e faixas mais sombrias movidas a sintetizadores.
Tem uma música que me fez lembrar Earthbound, do Super Nintendo. E outra que, posso garantir, vai te fazer soltar do nada um “oxe, que é isso que começou aqui?” segundos antes de te fazer curtir uma vibe fantástica, igual àquele gif do gatinho balançando a cabeça ao som de algo.
Em um mundo onde tudo virou assinaturas e a música precisa dividir nossa atenção com todo tipo de notificação no celular, parar para apreciar esse álbum foi uma das melhores aventuras recentes que tive.