<?xml version="1.0" encoding="utf-8"?><feed xmlns="http://www.w3.org/2005/Atom" ><generator uri="https://jekyllrb.com/" version="3.10.0">Jekyll</generator><link href="https://hallessandro.github.io/feed.xml" rel="self" type="application/atom+xml" /><link href="https://hallessandro.github.io/" rel="alternate" type="text/html" /><updated>2026-07-30T03:34:04+00:00</updated><id>https://hallessandro.github.io/feed.xml</id><title type="html">Hallessandro</title><subtitle>Textos sobre música, jogos, livros, mídias físicas e reflexões.</subtitle><entry><title type="html">Devaneios sobre a genialidade de The Dark Side of The Moon</title><link href="https://hallessandro.github.io/musica/resenhas/2026/07/29/dark-side-of-the-moon.html" rel="alternate" type="text/html" title="Devaneios sobre a genialidade de The Dark Side of The Moon" /><published>2026-07-29T15:00:00+00:00</published><updated>2026-07-29T15:00:00+00:00</updated><id>https://hallessandro.github.io/musica/resenhas/2026/07/29/dark-side-of-the-moon</id><content type="html" xml:base="https://hallessandro.github.io/musica/resenhas/2026/07/29/dark-side-of-the-moon.html"><![CDATA[<p><em>The Dark Side of the Moon</em> é uma obra-prima — e sim, eu só descobri isso agora.</p>

<p>Não é como se eu não soubesse da existência do álbum. Eu sabia e o escutei, em partes, em alguns momentos da vida. Mas nunca “clicou” para mim. Depois de uma ou outra música, achava estranho e procurava algo diferente.</p>

<p>Nos últimos meses, porém, comecei a mudar a forma como ouvia música pelo simples fato de que não me sentia mais realizado no processo. A música tinha perdido totalmente o valor da arte e passado a ser apenas o som de fundo das minhas atividades do dia a dia e um monte de estatisticas ao fim de cada mês. Agrega-se a isso, também, o fato de que passei, de forma geral, a me incomodar em pagar por (várias)assinaturas e não ser dono de nada.</p>

<p>Pois bem, chegou a um ponto em que, por impulso, comprei uma fita K7, um CD e um tocador para cada. Não sabia bem o que sairia disso, mas quando tudo chegou e pude ouvir minha fita pela primeira vez (o álbum, inclusive, é o <em>Fuyu Kukan</em>, de que falei em outro post), fui levado a uma viagem que nem sabia ser possível embarcar.</p>

<p>De lá para cá foram muitos K7s e CDs (e alguns vinis), até chegar ao Pink Floyd novamente. <em>The Wall</em>, <em>Wish You Were Here</em>, <em>Ummagumma</em>, <em>Pompeii</em>, <em>Animals</em>… Tenho muita coisa para falar sobre cada um deles, mas o foco hoje é <em>The Dark Side of the Moon</em>, o mais recente que resolvi comprar e me aventurar.</p>

<p>O Lado A desse disco é uma fascinante viagem ao nosso interior como indivíduos. <em>Speak to Me</em> e <em>Breathe</em> começam o álbum como um convite a desacelerar (o que é praticamente proibido no mundo de hoje).</p>

<blockquote>
  <p><em>Breathe, breathe in the air</em><br />
<em>Don’t be afraid to care</em></p>
</blockquote>

<p>São só duas linhas simples, mas que carregam um peso brutal. Em uma sociedade na qual a insensibilidade é tratada como “força”, se importar é um ato de revolta e, também, o único caminho para estar vivo de verdade.</p>

<p><em>On the Run</em> é estranha e causa ansiedade. Parece que, do nada, tudo se tornou urgente. Parece que a gente precisa correr, senão vai ficar para trás na corrida. Que corrida? Não sei (alguém será que sabe? kkk).</p>

<p>Se em <em>On the Run</em> estamos todos correndo sem saber o motivo, <em>Time</em> faz a gente acordar — com despertadores de fato tocando no começo. A gente não precisa correr, mas também não deve parar e esperar algo. A vida é finita, e devemos aproveitar ela da melhor forma. Sem urgência, sem medo. Não é uma corrida, é um livro aberto e pronto para ser preenchido de aventuras.</p>

<p><em>The Great Gig in the Sky</em> é sobre aceitar a finitude dessa nossa vida, mas, novamente, sem pânico. É o ciclo natural das coisas. Você nem precisa pensar muito sobre isso; é só seguir naturalmente.</p>

<p>Essa música é quem encerra o lado A, e faz isso de forma maravilhosa. É relaxante e bonito de apreciar os vocais e arranjos do Richard Wright.</p>

<p>Agora se o Lado A pegou a gente pela mão para gente poder refletir sobre nós mesmos, no Lado B é hora de olhar para fora.</p>

<p><em>Money</em> já começa com as caixas registradoras barulhentas. Não há tempo para toda essa reflexão e nem para contemplar sua existência. O capitalismo demanda o seu sacrifício. Você é parte de uma engrenagem e seu valor é medido pelo que consegue entregar nesse processo.</p>

<p>Essa música é maravilhosa. É uma das maiores e melhores críticas ao capitalismo e ao consumismo que já vi. Ironicamente, essa é a música do disco que mais escuto repetidamente. A maior crítica ao consumismo, é feita de uma forma tão gostosa de se ouvir, que faz ter vontade de consumir ela mais e mais.</p>

<p><em>Us and Them</em> carrega o desdobramento sociopolítico. O “nós contra eles”, as guerras travadas por velhos no poder enquanto os jovens morrem no chão — a empatia humana esmagada pelas estruturas sociais.</p>

<p>Vale lembrar que esse é um disco de 1973, não foi lançado ontem. Mas cada assunto tocado aqui, ainda é um problema atual nosso. Ano após anos parece que em tudo, somos cada vez mais rivais uns dos outros. A ideia do “nós contra eles” foi até otimizada por e para as redes sociais.</p>

<p>Mas voltando ao disco. Caminhamos para a parte final do álbum com, primeiro, any colour you like e falsa ideia de escolha. Você é 100% livre para escolher. As opções só não vão existir.</p>

<p>Depois Brain Damage e Eclipse nos monstram as consequências de ser usado por um sistema tão surreal. A perda da sanidade e a loucura de tentar manter a individualidade em um mundo doentio.</p>

<p>Ser você mesmo, se importar, sentir… Tudo isso é visto como fraqueza. Você passa a ser o “estranho”, pois o sistema demanda apatia e servidão.</p>

<p>É um disco de uma genialidade absurda. Não é uma tarefa fácil conseguir, com tamanha maestria, balancear a exposição da fragilidade e beleza do indivíduo com a exibição da podridão e opressão do sistema. Não tem muito mais o que eu possa falar, então deixo apenas o encerramento de <em>Eclipse</em>, que dá fim a esse álbum com as melhores palavras possíveis:</p>

<blockquote>
  <p><em>And everything under the Sun is in tune</em><br />
<em>But the Sun is eclipsed by the Moon</em></p>
</blockquote>]]></content><author><name></name></author><category term="musica" /><category term="resenhas" /><summary type="html"><![CDATA[The Dark Side of the Moon é uma obra-prima — e sim, eu só descobri isso agora.]]></summary></entry><entry><title type="html">Celeste e o processo de escalar minha própria montanha</title><link href="https://hallessandro.github.io/jogos/reflexoes/2026/06/30/celeste.html" rel="alternate" type="text/html" title="Celeste e o processo de escalar minha própria montanha" /><published>2026-06-30T15:00:00+00:00</published><updated>2026-06-30T15:00:00+00:00</updated><id>https://hallessandro.github.io/jogos/reflexoes/2026/06/30/celeste</id><content type="html" xml:base="https://hallessandro.github.io/jogos/reflexoes/2026/06/30/celeste.html"><![CDATA[<p>Eu terminei Celeste. O jogo registrou meu tempo em pouco mais de oito horas. Mas esse foi apenas o tempo em que segurei o controle. Na realidade, completar esse jogo foi uma jornada de anos. Não porque eu não conseguia avançar por questões relacionadas ao gameplay, mas porque precisei, aos poucos, encontrar os caminhos da minha própria montanha.</p>

<p>Madeline é uma personagem fictícia, claro. Mas sua jornada de autodescoberta e aceitação, seus medos e suas dores… são bem reais. E, eu diria, infelizmente, reais até demais. É fácil demais se identificar com eles.</p>

<p>Cada capítulo do jogo representa mais um passo da Madeline. E, sem perceber, eu acabei me conectando a essa jornada de um jeito curioso: só conseguia avançar no jogo quando eu mesmo havia avançado um pouco na minha própria vida.</p>

<p>Sem metas ou qualquer tipo de obrigação, fui jogando aos poucos, com pausas que às vezes duravam meses. Não estava nem aí se ia zerar ou não; o importante era jogar quando sentia que era isso que meu coração queria. Talvez por isso não tenha existido um único momento em que essa jornada não reverberasse em mim.</p>

<p>Celeste é um jogo difícil em termos de gameplay. Você vai errar, vai fracassar em pulos, perder o tempo de algum movimento… Não uma ou duas vezes, mas centenas delas. E, na real, tá tudo bem.</p>

<p>Errar não é apenas humano; é parte do processo de crescer. Ainda assim, vivemos em uma sociedade que transforma qualquer tropeço em motivo de vergonha. Talvez crescer também signifique parar de perseguir uma ideia de perfeição e deixar de se esconder da própria montanha — nossos medos, inseguranças e imperfeições. Só assim conseguimos nos aceitar por inteiro.</p>

<p>É justamente por isso que um dos aspectos mais brilhantes de Celeste está na forma como gameplay e narrativa caminham juntos. O jogo não apenas fala sobre enfrentar desafios; ele fala sobre fazer as pazes consigo mesmo. Cada queda, cada tentativa e cada pequeno avanço reforçam essa ideia. Não existe “game over”, não há limite de vidas nem a obrigação de coletar tudo pelo caminho. Se você errar um salto, tudo bem. Você reaparece quase instantaneamente e pode tentar de novo.</p>

<p>No fim, Celeste não ensina que um dia você vai deixar de sentir medo ou de carregar suas inseguranças. Ele ensina que é possível continuar caminhando sem odiar quem você é. A montanha continua difícil, mas, quando você deixa de lutar contra si mesmo, finalmente consegue enxergar o horizonte.</p>

<p>Quando os créditos chegaram, eu estava feliz pela querida Madeline, mas também muito orgulhoso de tudo o que avancei na minha própria montanha. No fim, aquelas oito horas nunca foram sobre terminar Celeste. Foram sobre me tornar alguém capaz de chegar até o fim.</p>]]></content><author><name></name></author><category term="jogos" /><category term="reflexoes" /><summary type="html"><![CDATA[Eu terminei Celeste. O jogo registrou meu tempo em pouco mais de oito horas. Mas esse foi apenas o tempo em que segurei o controle. Na realidade, completar esse jogo foi uma jornada de anos. Não porque eu não conseguia avançar por questões relacionadas ao gameplay, mas porque precisei, aos poucos, encontrar os caminhos da minha própria montanha.]]></summary></entry><entry><title type="html">O mundo neon de Fuyu Kukan</title><link href="https://hallessandro.github.io/musica/resenhas/2026/06/12/fuyu-kukan.html" rel="alternate" type="text/html" title="O mundo neon de Fuyu Kukan" /><published>2026-06-12T15:00:00+00:00</published><updated>2026-06-12T15:00:00+00:00</updated><id>https://hallessandro.github.io/musica/resenhas/2026/06/12/fuyu-kukan</id><content type="html" xml:base="https://hallessandro.github.io/musica/resenhas/2026/06/12/fuyu-kukan.html"><![CDATA[<p>Fuyu Kukan não é só um álbum, é, na verdade, um portal preparado para te levar para uma distante realidade cyberpunk.</p>

<p>Não importa onde você estava. No momento em que apertar play, você vai estar sozinho nessa cidade, perdido pela madrugada e embalado pelas luzes de neon. Mas não se preocupe que você não está triste por estar só. Estar sozinho aqui não é sinônimo de solidão, mas de liberdade. A noite é sua, a cidade é o seu cenário, e cada esquina escura esconde uma nova batida esperando para ser descoberta.</p>

<p>Esse é um álbum de 1983, mas que carrega um nível de produção difícil de replicar até hoje. O baixo é como o coração mecânico dessa cidade. Os sintetizadores são estranhos e atraentes, puxando você para explorar mais e mais. O vocal da Tomoko é o rádio embalando sua aventura.</p>

<p>Não é um álbum coeso em relação ao estilo das músicas. Aqui temos uma mistura proposital de gêneros e referências, tanto da música japonesa quanto da ocidental. Como se fosse de um bairro a outro da cidade, navegamos entre baladas românticas mais tradicionais e faixas mais sombrias movidas a sintetizadores.</p>

<p>Tem uma música que me fez lembrar Earthbound, do Super Nintendo. E outra que, posso garantir, vai te fazer soltar do nada um “oxe, que é isso que começou aqui?” segundos antes de te fazer curtir uma vibe fantástica, igual àquele gif do gatinho balançando a cabeça ao som de algo.</p>

<p>Em um mundo onde tudo virou assinaturas e a música precisa dividir nossa atenção com todo tipo de notificação no celular, parar para apreciar esse álbum foi uma das melhores aventuras recentes que tive.</p>]]></content><author><name></name></author><category term="musica" /><category term="resenhas" /><summary type="html"><![CDATA[Fuyu Kukan não é só um álbum, é, na verdade, um portal preparado para te levar para uma distante realidade cyberpunk.]]></summary></entry></feed>